A coleta seletiva de lixo cria novas oportunidades de negócio para empresários brasileiros. No interior de São Paulo, uma empresa aumenta o faturamento transformando garafas pet em placas de sinalização de trânsito. Além de garantir lucro às empresas, a reciclagem gera trabalho e renda para milhares de famílias.
Em Sorocada, interior de São Paulo, lixo é dinheiro. e o bom negócio começa com os catadores de garrafas pet, como José Carlos Pregun. Pela manhã, ele vai de casa em casa, recolhendo as garrafas.
Vale muito ouro, muito ouro porque é o salário que a gente tira, certo?
José Carlos é um dos 27 agentes ambientais desta cooperativa. Eles vivem de catar lixo na rua para reciclagem - plástico, lata, papelão. A maioria desses agentes estava desempregada, e encontrou aqui a chance de melhorar de vida.
“Eu era metalúrgico, fiquei desempregado muito tempo, aí eu recorri à reciclagem, única alternativa que eu tive”, diz Walter Ribeiro.
A cooperativa recolhe 2.700 garrafas pet por dia. Algumas se transformam em peças de artesanato. E são vendidas como porta-jóias, enfeites e bolsas.
“Às vezes a gente faz feiras, exposições em empresas, então a gente consegue alguma coisa assim”, revela a artesã Aparecida Chiquitano.
Mas a maior parte das garrafas vai para indústrias de reciclagem. Elas são pesadas e separadas por cor. É o primeiro passo para voltar ao processo produtivo.
Reciclar é até simples. O problema é transportar essas garrafas. É um material leve, mas volumoso demais, e o negócio só se torna viável com esta máquina – uma prensa. Para se ter uma idéia, esses setes sacos lotariam um caminhão. Com a máquina, se transformam num fardo com menos de um metro de altura, e mais de 2.500 garrafas espremidas.
A prensa foi emprestada à cooperativa pela prefeitura de Sorocaba.
A máquina faz pressão de cinco mil quilos e produz dez fardos por dia.
“Garrafa pet principalmente, e outros plásticos, o que vier a gente tem mercado fácil, fácil. Se eu tivesse hoje o dobro de pet que tenho, eu venderia tudo e o pessoal daqui ganharia mais dinheiro”, conta o tesoureiro Silvio Junior.
O plástico é reciclado por várias indústrias, e chega a esta gráfica em forma de placas. Aqui, ele se transforma em canetas, réguas, cartões de crédito, capas de caderno e até placas de sinalização. a produção dobra de tamanho a cada dois anos. Para o empresário Ferdinando Carvalho, a reciclagem abre portas.
“É um marketing poderoso, porque, como existe muito pouca gente que trabalha com matérias primas recicladas no nosso segmento, para nós é um diferencial e uma estratégia, usada como marketing de venda”, diz Ferdinando.
Para montar uma gráfica especializada em plástico reciclado, o investimento é de 400 mil reais. A produção é feita com máquinas de corte e impressoras. O trabalho exige o acompanhamento de especialistas em reciclagem.
A gente tem uma experiência de quase dez anos com o pet reciclado, em que a gente investiu, sofreu, naquele esquema de acerta, erra, acerta, erra, até que hoje a gente acerta mais do que erra.
Alguns produtos reciclados são mais baratos que os tradicionais. As réguas feitas de garrafas pet custam 30 % menos do que as de acrílico, por exemplo. E o plástico reciclado é a metade do preço do alumínio usado nas placas de sinalização. A prefeitura de Sorocaba já instalou 300 placas recicladas pela cidade.
Mesmo quando as peças recicladas são mais caras, algumas empresas enxergam lucro. é o caso destas capas para encadernação feitas de garrafas pet. Elas custam 30% mais que as capas de pvc comum.
Apesar do preço, esta copiadora em São Paulo apostou na novidade. O empresário João Favero diminuiu a margem de lucro e deu desconto na encadernação com o material reciclado.
A ideia era conscientizar o pessoal e atraí-los para esse produto novo.
Em cada venda, o empresário valoriza as vantagens das capas recicladas, como a durabilidade.
Olha a resistência... Ele não amassa, não quebra. O resultado é que as capas ecológicas conquistaram os clientes. Em seis meses, metade das encadernações vendidas na loja já são feitas com esse tipo de material.
É mais durável, resistente e, ajuda na preservação do meio ambiente.
E os lucros não demoraram a chegar. A copiadora fez banners para divulgar o uso do reciclado, e reforçou a imagem de empresa preocupada com o meio ambiente. Agora, começa a colher frutos.
“A gente sai ganhando o meio ambiente e a gente também”, diz Fernanda Paula Silva, cliente.
Abriu novos negócios, inclusive está valendo muito a pena porque já apareceram cursinhos pré-vestibulares, empresas de treinamento já estão procurando a gente para fazer as suas apostilas em material reciclado.
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