sexta-feira, 15 de maio de 2009

Papel reciclado x papel certificado: qual é o melhor?


Revista Globo Rural

O alto consumo de papel está entre as atividades humanas mais impactantes do planeta – em alguns países uma pessoa chega a consumir 300 quilos de papel por ano. Para amenizar o problema, algumas iniciativas vêm sendo tomadas pelas companhias produtoras de celulose. Entre elas, as que mais se destacam são o papel certificado e o papel reciclado. Mas qual deles produz menos danos ao meio-ambiente?

Segundo o pesquisador, José Maria Gusman Ferraz, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, apesar de o papel certificado ter vantagens enormes sobre o papel branco comum, a reciclagem é ainda mais ecológica. ‘O papel reciclado não necessita de uma nova derrubada de árvores, portanto ele tem vantagens sobre o papel branco de origem certificada, por melhor que sejam as práticas em seu plantio e processamento’, diz.

A produção de papel é a atividade industrial que mais consome água e está em quinto lugar na lista das que mais consomem energia, além de utilizar produtos químicos altamente tóxicos, que atingem a água o solo e os alimento. O papel certificado tenta diminuir um pouco esses danos à natureza. Ele é menos destrutivo que o papel comum e estabelece critérios para a proteção da biodiversidade, alem de não utilizar cloro na sua fabricação – a utilização de cloro no processo produz dioxina, substância altamente cancerígena.

A reciclagem seria ainda mais ecológica por não precisar de um novo plantio. A cada 50 quilos de papel reciclado uma árvore é poupada, garantindo mais espaço para a manutenção de florestas nativas e para a produção de alimentos.

Mesmo assim, o pesquisador observa que a reciclagem também é uma indústria que consome energia e polui. ‘Por isso, se o que almejamos é uma produção sustentável, capaz de garantir os recursos naturais necessários para a atual e as futuras gerações, o melhor a fazer é reduzir o consumo e começar a exigir que as empresas adotem medidas mais eficazes de proteção ambiental. Como consumidores, precisamos rever nossos hábitos e exigir mudanças no modo de produção’, conclui.

Sempre indicamos o papel certificado, mas JAMAIS deve ser usado o papel branco, porque para fazer o branqueamento da celulose – que irá se transformar em papel – é usado o cloro, que gera resíduos que são lançados em rios, contaminando a água, o solo, a vegetação e os animais e ainda causando chuva ácida que destroi ecossistemas inteiros. O cloro ainda contém dioxinas, que são elementos cancerígenos. As dioxinas estão associadas a doenças dos sistemas endócrino, reprodutivo, nervoso e imunológico.

Grandes empresas já usam o papel não branqueado, que é uma forma de fazer sua parte pelo ambiente. Mude você também, se sua papelaria não tiver papel não branqueado, chame o dono, o diretor, o gerente, exija que todos os lugares tenham este tipo de papel, até que a indústria desista de fabricar papel branco. Eles só produzem este tipo de papel porque há procura e se ninguém mais comprar, este será mais um produto ambientalmente incorreto que sumirá do mercado e já irá tarde.

O papel branco é totalmente desnecessário e só é usado por uma questão de estética, porque o branco é considerado limpo, puro, na verdade uma pura besteira. Temos que abandonar esta idéia ridícula de estética, temos que usar produtos com menos química, mais naturais, porque o que não é belo hoje, amanhã será considerado maravilhoso, é tudo uma questão de moda, costume. Nós podemos fazer esta mudança ocorrer, só depende de nós.

Cada produto ambientalmente incorreto que desaparece do mercado é mais uma chance que se dá para a humanidade sobreviver, por isso é tão importante a mudança no padrão de produção, comercialização e consumo de todos os humanos do planeta.

Um comentário:

  1. Muito bom....é isso ai!
    A empresa onde trabalho está começando agora esse trabalho de sustentabilidade, estou trabalhando no grupo do papel. Procuro informações para poder contribuir com o grupo.

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