terça-feira, 19 de maio de 2009

O Eco-capitalista

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Esqueça o cara dos carpetes, esqueça todos os Bancos da Sustentabilidade e tudo de eco-empresas que você já ouviu ou viu por aqui. Essas empresas são parte do passado por simplesmente se "adaptarem", elas já existiam quando ninguém se preocupava com meio ambiente, mudaram um pouquinho e lançaram uma nova tendência. O mais fantástico mesmo é a Terra-Cycle, uma empresa que nasceu pra ser sustentável, desde a origem da matéria-prima dos seus produtos até as embalagens.

Afinal o que tem de tão maravilhoso essa empresa?

A TerraCycle foi originalmente concebida como uma transportadora de resíduos alimentares, eles seriam pagos para remover os resíduos e dá-los a minhocas. O adubo de côco de minhoca foi apenas um bom subproduto, mas logo depois virou o produto deles. E um produto feito e embalado por resíduos, como eles não tinham dinheiro para comprar embalagens para o húmus, resolveram utilizar garrafas PETs usadas. Desde então todos os produtos partem desse princípio: reutilizar resíduos que teriam como destino o lixo. Hoje os produtos da empresa são os mais variados desde os famosos fertilizantes de côco de minhocas até repelentes, materiais de limpeza, mochilas, bolsas e materiais de escritório. Todos produzidos ou embalados com garrafas de refrigerante, leite, embalagens de salgadinhos, sacolas plásticas, jornais e etc.

Tom Szaky, um dos fundadores e CEO da empresa, possui um blog chamado The Eco-capitalist, é nascido na Hungria e largou Princeton no segundo ano para fundar a Terra Cycle. Uma das coisas que eu mais gostei de ler nas entrevistas dele é que ele sempre bate na tecla de que o interesse não é reciclar materiais, isso sai tão caro quanto usar materiais novos, a idéia principal mesmo é reutilizar lixo como matéria-prima.

Se você for parar pra pensar bem sobre essa empresa ela não tem nada de muito revolucionário, convenhamos, quem não está cansado de ver aqui no Brasil gente fazendo os mais variados objetos de garrafas PET? Vermicompostagem não é uma coisa nada nova, existe desde sempre, só que Tom Szaky profissionalizou tudo isso e vendeu muito bem a idéia, ele é um empreendendor e o que me deixa mais feliz é ver produtos eco em sua essência.

Essa empresa é ou não um exemplo do que deveriam ser negócios sustentáveis? Espero que os jovens se inspirem em Tom Szaky e daqui pra frente não almejem ser os CEOs de empresas velhas, com conceitos velhos e ultrapassados, são dessas inovações que precisamos, novos conceitos e um modo completamente diferente de se fazer negócios. Isso é um exemplo de revolução verde.

E alguns dos textos que li sobre a empresa e seu fundador (Todos em inglês):

http://ecofrenzy.wordpress.com/2008/08/25/broke-and-trying-to-grow-better-pot-two-ingredients-for-world-class-eco-innovation/

http://www.greenbiz.com/blog/2009/03/09/tom-szaky-writes-garbage

http://www.terracycle.net/media/08-09-02--greenbuzinnovators/08-09-02--greenbuzinnovators.html

Por que e como empresas criam programas de sustentabilidade e possuem um Executivo Chefe de Sustentabilidade (CSO)

Claudia Chow

Eu não tenho essa resposta, mas encontrei um artigo (Why, and how, companies create sustainability programs and appoint chief sustainability officers) do Instituto Korn/Ferry que tenta indicar respostas a essa pergunta.

Um dos principais motivos, segundo o texto, que levaria uma empresa a implantar programas de sustentabilidade é a demanda do consumidor.

Eles mostram os 4 passos que ocorrem a partir da demanda do consumidor até a criação de programa formal de sustentabilidade para as empresas, são eles: 1) Demanda do cliente, 2) Unidade de negócios responsável, 3) "Aha!" do Executivo, 4) Programa de Sustentabilidade. Ou seja, tudo começa com a demanda dos clientes (olha a nossa responsabilidade como consumidores), aí é criada uma unidade de negócios com o tema, alguém do alto escalão da empresa incentiva a sustentabilidade para diferentes partes do negócio e em resposta a isso é criado um "departamento" e designado um Executivo Chefe de Sustentabilidade para gerenciar o assunto.

O artigo descreve várias características e algumas das funções que esse executivo deve ter, mas como não manjo muito dessa área não achei nenhuma das características e funções citadas algo muito diferente do que qualquer executivo deve fazer por aí, deve ser um pouco mais específico, mas nada fora do comum pra quem segue esse caminho.

Nesse artigo encontrei, talvez, a resposta para a minha pergunta por que é tão difícil achar um emprego nessa área. A maioria das pessoas que estão envolvidas nos programas de sustentabilidade das empresas não se dedicam a esse cargo 100% do tempo, geralmente elas acumulam funções, isso demonstra, para a autora do artigo, que as empresas não querem ter custos significativos com o programa de sustentabilidade. Portanto se você quer trabalhar nessa área é mais fácil se você estiver dentro da empresa, contratar alguém significa mais custos, então é realmente mais difícil de acontecer. Sustentabilidade ainda significa mais custos e ninguém ta disposto a gastar mais por isso, pelo menos não por enquanto, espero.

Vote pelo Planeta

É hora de agir!

Essa é a primeira eleição que acontece simultaneamente no mundo inteiro. No páreo, estão o nosso planeta e o aquecimento global. Para quem você vai dar seu voto? No dia 28 de março, você deu seu voto pela terra, contra o aquecimento global, com um gesto simples: apaguando a luz da sua sala. Ao desligar o interruptor, você fez sua escolha.
Mas o desafio ainda não acabou.

Os resultados dessa grande eleição mundial serão apresentados na Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, que acontece em Copenhagen, em dezembro desse ano.

Nós queremos dizer aos nossos líderes que é hora de agir contra o aquecimento global. Por isso, sua participação é muito importante!


Como posso ajudar?

Ajude a espalhar esta mensagem de alerta contra o aquecimento global !

Esse ano, os líderes mundiais tomarão decisões muito importantes sobre nosso futuro, durante a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima. E você pode ajudar!

Nós queremos mostrar ao mundo o quanto estamos preocupados com o aquecimento global e queremos manter todos falando nesse assunto, porque as palavras são instrumentos muito poderosos. Veja ao lado como espalhar essa mensagem.

Bolsa Família atingirá 1 em cada 3 brasileiros em 2010



O Bolsa Família, maior programa social do governo Lula, atingirá em 2010, ano eleitoral, um em cada três brasileiros. Hoje o benefício já chega, direta ou indiretamente, a 29% da população – sendo que, em seis estados do Nordeste, mais da metade dos moradores vive do programa, segundo levantamento do GLOBO com base em dados oficiais. É o que mostra reportagem de Leila Suwwan, publicada na edição deste domingo de O GLOBO.

No Maranhão, no Piauí e em Alagoas, de 58% a 59% da população dependem do Bolsa Família. Na cidade de Junco do Maranhão, 95,7% das famílias vivem do programa. De acordo com o governador do Piauí, Wellington Dias, o alto número de beneficiários no estado reflete uma “situação dramática”.

Para o governo federal, a grande abrangência é positiva, e os estados é que devem cuidar do combate às causas estruturais da pobreza. Já os especialistas lembram é preciso criar saídas para romper o ciclo de miséria e evitar a exploração política da transferência de renda.

Em Canudos, 70% dos moradores recebem Bolsa Família

Reportagem de Maiá Menezes mostra que, em Canudos, na Bahia, 70% de seus moradores são dependentes do Bolsa Família. É a única renda para a maioria dos sucessores de Conselheiro, o beato-herói que inflamou a população do então vilarejo de Bello Monte, em 1893, contra impostos e regras da República.

A legenda das fotos acima é a seguinte “Moradora de uma pequena favela que está se formando em Nova Canudos, Maria de Jesus tem 8 filhos. Ela disse que já teria morrido sem o benefício.”

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Lixo se transforma em bons negócios

A coleta seletiva de lixo cria novas oportunidades de negócio para empresários brasileiros. No interior de São Paulo, uma empresa aumenta o faturamento transformando garafas pet em placas de sinalização de trânsito. Além de garantir lucro às empresas, a reciclagem gera trabalho e renda para milhares de famílias.

Em Sorocada, interior de São Paulo, lixo é dinheiro. e o bom negócio começa com os catadores de garrafas pet, como José Carlos Pregun. Pela manhã, ele vai de casa em casa, recolhendo as garrafas.

Vale muito ouro, muito ouro porque é o salário que a gente tira, certo?

José Carlos é um dos 27 agentes ambientais desta cooperativa. Eles vivem de catar lixo na rua para reciclagem - plástico, lata, papelão. A maioria desses agentes estava desempregada, e encontrou aqui a chance de melhorar de vida.

“Eu era metalúrgico, fiquei desempregado muito tempo, aí eu recorri à reciclagem, única alternativa que eu tive”, diz Walter Ribeiro.


A cooperativa recolhe 2.700 garrafas pet por dia. Algumas se transformam em peças de artesanato. E são vendidas como porta-jóias, enfeites e bolsas.

“Às vezes a gente faz feiras, exposições em empresas, então a gente consegue alguma coisa assim”, revela a artesã Aparecida Chiquitano.

Mas a maior parte das garrafas vai para indústrias de reciclagem. Elas são pesadas e separadas por cor. É o primeiro passo para voltar ao processo produtivo.

Reciclar é até simples. O problema é transportar essas garrafas. É um material leve, mas volumoso demais, e o negócio só se torna viável com esta máquina – uma prensa. Para se ter uma idéia, esses setes sacos lotariam um caminhão. Com a máquina, se transformam num fardo com menos de um metro de altura, e mais de 2.500 garrafas espremidas.

A prensa foi emprestada à cooperativa pela prefeitura de Sorocaba.


A máquina faz pressão de cinco mil quilos e produz dez fardos por dia.

“Garrafa pet principalmente, e outros plásticos, o que vier a gente tem mercado fácil, fácil. Se eu tivesse hoje o dobro de pet que tenho, eu venderia tudo e o pessoal daqui ganharia mais dinheiro”, conta o tesoureiro Silvio Junior.

O plástico é reciclado por várias indústrias, e chega a esta gráfica em forma de placas. Aqui, ele se transforma em canetas, réguas, cartões de crédito, capas de caderno e até placas de sinalização. a produção dobra de tamanho a cada dois anos. Para o empresário Ferdinando Carvalho, a reciclagem abre portas.


“É um marketing poderoso, porque, como existe muito pouca gente que trabalha com matérias primas recicladas no nosso segmento, para nós é um diferencial e uma estratégia, usada como marketing de venda”, diz Ferdinando.

Para montar uma gráfica especializada em plástico reciclado, o investimento é de 400 mil reais. A produção é feita com máquinas de corte e impressoras. O trabalho exige o acompanhamento de especialistas em reciclagem.


A gente tem uma experiência de quase dez anos com o pet reciclado, em que a gente investiu, sofreu, naquele esquema de acerta, erra, acerta, erra, até que hoje a gente acerta mais do que erra.

Alguns produtos reciclados são mais baratos que os tradicionais. As réguas feitas de garrafas pet custam 30 % menos do que as de acrílico, por exemplo. E o plástico reciclado é a metade do preço do alumínio usado nas placas de sinalização. A prefeitura de Sorocaba já instalou 300 placas recicladas pela cidade.

Mesmo quando as peças recicladas são mais caras, algumas empresas enxergam lucro. é o caso destas capas para encadernação feitas de garrafas pet. Elas custam 30% mais que as capas de pvc comum.

Apesar do preço, esta copiadora em São Paulo apostou na novidade. O empresário João Favero diminuiu a margem de lucro e deu desconto na encadernação com o material reciclado.

A ideia era conscientizar o pessoal e atraí-los para esse produto novo.

Em cada venda, o empresário valoriza as vantagens das capas recicladas, como a durabilidade.

Olha a resistência... Ele não amassa, não quebra. O resultado é que as capas ecológicas conquistaram os clientes. Em seis meses, metade das encadernações vendidas na loja já são feitas com esse tipo de material.

É mais durável, resistente e, ajuda na preservação do meio ambiente.

E os lucros não demoraram a chegar. A copiadora fez banners para divulgar o uso do reciclado, e reforçou a imagem de empresa preocupada com o meio ambiente. Agora, começa a colher frutos.

“A gente sai ganhando o meio ambiente e a gente também”, diz Fernanda Paula Silva, cliente.

Abriu novos negócios, inclusive está valendo muito a pena porque já apareceram cursinhos pré-vestibulares, empresas de treinamento já estão procurando a gente para fazer as suas apostilas em material reciclado.

Fast food saudável é boa opção de negócio

Empresários apostam no fast food saudável que conquista o paladar e se espalha pelas praças de alimentação! Os brasileiros fazem mais de 57 milhões refeições fora de casa, por dia. E cada vez mais, eles procuram aliar saúde ao sabor, e buscam lanches rápidos e balanceados!

Uma bebida saudável que tem poucas calorias e fica pronta em no máximo 2 minutos!

O empresário Rodrigo Malfitani abriu, há 3 anos, um quiosque especializado em smoothies, uma bebida que é uma mistura de frutas, sorvete e gelo.

No ano passado, o empresário investiu no sistema de franchising. Tem duas lojas próprias e uma franqueada.

“Existe uma procura grande das pessoas por uma alimentação mais balanceada, mais equilibrada e o que a gente quis foi apostar nesse segmento, nos shoppings, na pouca opção que tem nos shoppings hoje em dia para as pessoas comerem rápido, mas comerem com saúde”, diz o empresário.

Rodrigo Malfitani pesquisou o mercado e contratou uma nutricionista para elaborar o cardápio. Aqui, tem informações sobre os benefícios de cada bebida.

O smoothie tem 200 calorias e utiliza dois tipos de sorvete. O sorbet, feito com água e frutas. E o frozen, à base de iogurte desnatado. São mais de 20 receitas que usam 15 tipos de frutas.

Para deixar a bebida ainda mais saudável, o cliente pode acrescentar alguns suplementos alimentares.

A mistura é servida neste copo de isopor, que mantém a bebida na temperatura ideal.

Cada quiosque consome 1 tonelada de frutas congeladas por mês. O smoothie mais vendido é este com frutas vermelhas que custa R$ 9,50.

Mais de 100 pessoas são atendidas por dia em cada loja. Para divulgar o produto, o empresário oferece a degustação para as pessoas que circulam pelo shopping.

“Ela é bem geladinha, cremosa e tem vários sabores e tem baixa caloria. Então, para quem está fazendo uma dieta é muito bom”, diz Lívia Marques.

“O grande desafio é tornar as nossas bebidas como um produto comum as refeições do dia-a-dia das pessoas que elas possam consumir isso regularmente e vejam isso como um produto benéfico à saúde delas”, conta Rodrigo.

O investimento para abrir uma franquia desta rede é de R$ 130 mil.

Animado com o faturamento da rede que dobrou no último ano, o empresário quer agora expandir os negócios.

Nós pretendemos abrir mais uma loja franqueada ainda esse ano e mais uma loja própria no início do ano que vem.

O empresário Rodrigo Gazire também apostou no fast food saudável: crepes e os sanduíches.

A empresa que começou com um quiosque, hoje, é uma rede de lanchonetes com 3 lojas próprias.

Mussarela de búfala, peito de peru, tomate seco e rúcula. São mais de 30 opções de ingredientes. Aqui, o cliente fica a vontade para montar o próprio lanche. A ideia é mostrar que é possível oferecer refeições rápidas, saudáveis e saborosas.

O cliente escolhe o pão e mais quatro ingredientes. Os diferenciais são: a qualidade dos produtos, o sabor. O atendimento eficaz e rápido acima de tudo.

“Eu escolhi está lanchonete porque ela me oferece uma alimentação saudável e uma enorme variedade de produtos”, diz um cliente.

Na cozinha, são preparadas, em média, 150 refeições por dia. Na elaboração dos pratos, o óleo é trocado pelo azeite de oliva. As pastas que recheiam os sanduíches são à base de iogurte e ricota.

A gente como trabalha sentado o dia inteiro procura comer pelo menos uma, duas vezes por semana uma alimentação saudável. Uma comida natural, um suco natural feito na hora. É importante para a saúde.

O investimento para abrir uma lanchonete como esta é de R$ 300 mil. Cada lanchonete fatura 60 mil reais por mês. A meta para este ano é abrir mais três lojas e formatar uma franquia.

“Meu negócio está crescendo em média, 30% ao ano. Então, eu acho que com certeza é um mercado a ser explorado”, diz o empresário Rodrigo.

E o segmento de comida saudável virou tendência de negócio, segundo o consultor Enzo Donna.

O sucesso dos empresários do setor é uma realidade para o consultor. O mercado de alimentação saudável é um mercado que não é moda. Isso é importante. É um fenômeno mundial, está chegando intensamente no Brasil e é irreversível.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Papel reciclado x papel certificado: qual é o melhor?


Revista Globo Rural

O alto consumo de papel está entre as atividades humanas mais impactantes do planeta – em alguns países uma pessoa chega a consumir 300 quilos de papel por ano. Para amenizar o problema, algumas iniciativas vêm sendo tomadas pelas companhias produtoras de celulose. Entre elas, as que mais se destacam são o papel certificado e o papel reciclado. Mas qual deles produz menos danos ao meio-ambiente?

Segundo o pesquisador, José Maria Gusman Ferraz, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, apesar de o papel certificado ter vantagens enormes sobre o papel branco comum, a reciclagem é ainda mais ecológica. ‘O papel reciclado não necessita de uma nova derrubada de árvores, portanto ele tem vantagens sobre o papel branco de origem certificada, por melhor que sejam as práticas em seu plantio e processamento’, diz.

A produção de papel é a atividade industrial que mais consome água e está em quinto lugar na lista das que mais consomem energia, além de utilizar produtos químicos altamente tóxicos, que atingem a água o solo e os alimento. O papel certificado tenta diminuir um pouco esses danos à natureza. Ele é menos destrutivo que o papel comum e estabelece critérios para a proteção da biodiversidade, alem de não utilizar cloro na sua fabricação – a utilização de cloro no processo produz dioxina, substância altamente cancerígena.

A reciclagem seria ainda mais ecológica por não precisar de um novo plantio. A cada 50 quilos de papel reciclado uma árvore é poupada, garantindo mais espaço para a manutenção de florestas nativas e para a produção de alimentos.

Mesmo assim, o pesquisador observa que a reciclagem também é uma indústria que consome energia e polui. ‘Por isso, se o que almejamos é uma produção sustentável, capaz de garantir os recursos naturais necessários para a atual e as futuras gerações, o melhor a fazer é reduzir o consumo e começar a exigir que as empresas adotem medidas mais eficazes de proteção ambiental. Como consumidores, precisamos rever nossos hábitos e exigir mudanças no modo de produção’, conclui.

Sempre indicamos o papel certificado, mas JAMAIS deve ser usado o papel branco, porque para fazer o branqueamento da celulose – que irá se transformar em papel – é usado o cloro, que gera resíduos que são lançados em rios, contaminando a água, o solo, a vegetação e os animais e ainda causando chuva ácida que destroi ecossistemas inteiros. O cloro ainda contém dioxinas, que são elementos cancerígenos. As dioxinas estão associadas a doenças dos sistemas endócrino, reprodutivo, nervoso e imunológico.

Grandes empresas já usam o papel não branqueado, que é uma forma de fazer sua parte pelo ambiente. Mude você também, se sua papelaria não tiver papel não branqueado, chame o dono, o diretor, o gerente, exija que todos os lugares tenham este tipo de papel, até que a indústria desista de fabricar papel branco. Eles só produzem este tipo de papel porque há procura e se ninguém mais comprar, este será mais um produto ambientalmente incorreto que sumirá do mercado e já irá tarde.

O papel branco é totalmente desnecessário e só é usado por uma questão de estética, porque o branco é considerado limpo, puro, na verdade uma pura besteira. Temos que abandonar esta idéia ridícula de estética, temos que usar produtos com menos química, mais naturais, porque o que não é belo hoje, amanhã será considerado maravilhoso, é tudo uma questão de moda, costume. Nós podemos fazer esta mudança ocorrer, só depende de nós.

Cada produto ambientalmente incorreto que desaparece do mercado é mais uma chance que se dá para a humanidade sobreviver, por isso é tão importante a mudança no padrão de produção, comercialização e consumo de todos os humanos do planeta.

Cidade belga planeja ter um ‘dia vegetariano’ por semana

13/05/2009 — funverde

zobeiry

BBC Brasil

A prefeitura da cidade belga de Ghent lançou uma campanha para tentar convencer seus cidadãos a abrirem mão do consumo de carne pelo menos um dia por semana.

A ideia da iniciativa, lançada nesta semana, é de criar o “dia vegetariano”, com os servidores públicos e vereadores dando o exemplo inicial a ser seguido, aos poucos, pelo resto da população local.

A intenção da prefeitura é chamar a atenção para o impacto da criação de rebanhos sobre o meio ambiente.

Segundo a ONU, os rebanhos de animais como gado, ovelhas e porcos é responsável por um quinto das emissões globais dos gases que provocam o efeito estufa, daí a decisão do governo local de criar o “dia vegetariano”.

Os servidores e políticos serão os primeiros a abdicar de carne um dia por semana, mas a partir e setembro, os estudantes das escolas públicas também vão aderir ao dia vegetariano.

Com a medida, a prefeitura espera diminuir as emissões dos gases causadores de efeito estufa na cidade, além de ajudar no combate à obesidade.

A prefeitura agora vai imprimir cerca de 90 mil “mapas vegetarianos” de Ghent, localizando os restaurantes de comida vegetariana.

Pequenas iniciativas de cidades em vários cantos do planeta são uma inspiração, um sopro de esperança de um futuro melhor para a humanidade.

Ninguém está falando que você deve virar um vegetariano pé de alface, não precisa correr clorofila em suas veias, não sejamos tão radicais, mas podemos sim diminuir o consumo de carne para três vezes por semana, duas, uma e ainda assim consumirmos as proteínas necessárias, é só não bancar o gaúcho, que não vive sem carne no prato, nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

Você pode também fazer isso em sua casa, se você for um viciado em carne. Negocie com a família um dia sem carne, faça receitas criativas com legumes e verduras, inclua mais frutas em sua alimentação. Depois de um mês a família já terá se acostumado e você poderá implantar mais um dia verde em sua casa até ficar ao menos quatro dias sem carne e três com carne. Se todos fizerem isso, isso fará uma diferença de mais de 50% no impacto que a criação de gado causa ao planeta.

Nesses três dias você pode variar com peixe, frango, porco, ovelha, boi. Faça sua parte, fale com seus amigos e parentes, convença-os de que eles podem mudar o mundo mudando sua alimentação.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Jogo Novo Mundo


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Ganhei do meu irmão e do meu pai, no meu aniversário, o Jogo da Estrela Novo Mundo - Você é responsável pela despoluição do planeta!

O jogo é indicado para crianças a partir de 8 anos e para 2 a 6 jogadores, o material é todo feito de papel reciclado (exceto, acredito eu, os materiais de plástico, como os dados e os peões). O objetivo do jogo é despoluir o planeta e em alguns aspectos lembra bem o War pois cada jogador recebe seu objetivo com quais continentes terá que despoluir para poder vencer e o tabuleiro é uma representação do Planeta e seus continentes.

Por ser um jogo que foca em crianças a partir de 8 anos ele não tem muito de estratégia e muito mais de sorte nos dados. Para você ganhar os "recursos" (água, fauna, flora e oxigênio) necessários para despoluir os continentes você precisa responder perguntas sobre meio ambiente. São 170 cartões com 3 perguntas em cada, ou seja, ao todo o jogo tem 510 perguntas, que infelizmente não estão classificadas por nível de dificuldade. Uma sugestão interessante seria dividir os níveis de dificuldade das perguntas para ganhar mais ou menos recursos.

Gostei bastante do jogo, principalmente das perguntas que tornam as coisas bem educativas, algumas delas são bem fáceis outras bem interessantes, por exemplo eu aprendi o que são Krill e onde o WWF foi fundado por causa do jogo.

A minha amiga que jogou comigo sugeriu que eles vendessem separado os cartões de perguntas de vários níveis.

Não sei se um jogo desses convence alguém a tomar atitudes mais sustentáveis, mas se despertar o interesse nas pessoas pelas ações do homem e sua destruição já está de bom tamanho.

Uma boa sugestão na hora de presentear a criançada!

Infelizmente o site da Estrela não tem muita coisa a respeito do jogo.

Outros jogos sobre meio ambiente.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Livro: Alimentos Regionais do Brasil

A muito tempo atrás eu ganhei um exemplar desse livro repleto de espécies nativas da flora brasileira, com fotos e explicações. Sempre fiquei pensando se não haveria um versão disponível. Eis que finalmente recebi um link.

"Tem como objetivo divulgar a imensa variedade de frutas, hortaliças, tubérculos e leguminosas brasileiras."

Disponível para download como PDF.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Feliz Dia das Mães!

Saúde e alimentação na gravidez


Mulheres geralmente já são mais preocupadas com uma alimentação saudável do que os homens. Mães, então, parecem desenvolver um senso de saúde ainda mais apurado com relação a si mesmas e também àqueles que as rodeiam, não acham?

Já nem estranhamos quando ouvimos nossas mães falando da importância de comer legumes e verduras, de uma dieta balanceada, pedindo para não comermos besteiras… São tantos cuidados que muitas vezes achamos que elas exageram! Como o dia das mães se aproxima, o Mundo Verde resolveu dar algumas dicas àquelas que estão vivendo a maternidade em plenitude, ou seja, àquelas mulheres que estão carregando no ventre seus filhos!

Gravidez, alimentação e saúde

A alimentação é um dos fatores que merecem maior atenção durante a gravidez. Além da ansiedade natural da espera do bebê, surgem as dúvidas sobre o que comer, quando comer, qual a quantidade correta, etc.

Alimentação saudável para a mãe e o bebê

Alimentação saudável para a mãe e o bebê

A nutricionista da rede Mundo Verde, Flávia Morais, defende que as mamães não devem cair na lenda de “comer por dois”. Flávia alerta que “a alimentação deve ser variada e adequada às necessidades da gestante para fornecer todos os nutrientes necessários para a saúde da mãe e do bebê”, mas isso não significa comer de tudo a toda hora.

No período da gravidez, o metabolismo trabalha com maior intensidade, devido às alterações hormonais. Por isso, as futuras mães devem repor as energias calóricas e os nutrientes para evitar problemas.

No site oficial do Mundo Verde você pode encontrar algumas dicas sobre a alimentação ideal para gestantes. Flávia afirma que um pequeno aumento do número de calorias e proteínas, além de uma oferta de nutrientes, vitaminas e minerais, garantirá o equilíbrio nutricional ideal indispensável ao desenvolvimento intrauterino.

Repasse essas dicas para as mamães gestantes que você conhece e deixe um comentário com sua opinião sobre o assunto!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vamos pegar leve com a carne?


Reduzir o consumo de carne é bom para a sua saúde e para o planeta. Sou carnívoro de longa data mas faz tempo que venho readequando minha dieta. Ainda estou longe de ser vegetariano, mas tenho conseguido manter uma boa média de dois bifões por semana. E não me sinto menos alimentado por conta disso. Aliás, isso é uma grande lenda, de que só comendo carne podemos ser fortes, sadios e dispostos para a vida moderna. Confira aqui a palavra de 5 grandes esportivas de primeiro time.
O pessoal do Do The Green Thing tem feito campanha para conscientizar as pessoas de que reduzir o consumo de carne é bom para todos - até para a indústria, que poderia melhorar suas atuais práticas de criação de animais.
Um vídeo divertido foi produzido sobre o tema, com reportagem de Jeremy Bovine, confira:

Recicle os desenhos das crianças


Ainda hoje me lembro, com tristeza, do dia, há muitos anos, em que abri o armário para ver todos os desenhos que minha filha fizera na escolinha durante o ano inteiro, e encontrei-os comidos, literalmente, por bichinhos. Não sobrou nada. Uma pena.

Agora, na era digital, há outras alternativas mais eficientes para guardar as gracinhas que nossas crianças trazem da escola, ou que fazem em casa mesmo. A Princesinha adora desenhar. Se formos guardar toda a papelada produzida, a coisa complica. Então, que tal compartilharmos novas ideias (sem acento) sobre a melhor forma de preservar as obras de arte de nossos geninhos e, de saldo, reutilizar o papel dos desenhos das crianças?

Encontrei algumas idéias bem criativas no site How can i recycle this? Algumas delas eu já faço, mas não com tanta criatividade. Por exemplo, fotografar os desenhos e fazer um livro ou um slide show. Eu apenas fotografei alguns desenhos da Princesinha e guardei-os em um álbum virtual privado. Adaptei algumas ideias que vi lá no site, e compartilho-as aqui com vocês:

Adorei a ideia do livro original: basta furar os desenhos e reforçá-los com um papel autocolante (tipo contact), fazer uma capa usando caixa de sapato e ilustrar com um desenho bem lindo, uma linda fita para amarrar e pronto! Fica uma lembrança fácil de guardar para toda vida. Se a mamãe for criativa, pode escrever textos de acordo com os desenhos e tem-se um livro de histórias bem original. Fica até uma sugestão linda para dar de presente aos avós: um álbum com uma seleção de desenhos feitos pelos netinhos, hehe. Eu ia adorar!

Outra ideia muito intessante que vi lá no site é esta: exibir os desenhos em um longo mural, na parede do quarto ou no corredor. Estou pensando em comprar um desses para a Princesinha. Ela mesma poderá escolher os seus desenhos preferidos para ficarem no mural, e, após algum tempo, eles iriam para a reutilização ou para a reciclagem. E, o mural seria fotografado toda vez que fosse renovado. Amei isto!

Uma ideia bem bacana para quem optar por fotografar e fazer um ábum virtual é reaproveitar os papéis desenhados utilizando-os como papel de embrulho; ou como decoração para caixinhas de guardar trecos (é só colá-los e depois “plastificá-los ” com cola branca). Outra ideia seria fazer jogos americanos com os desenhos, cobrindo-os com contact.

Agora, vejam só que coisa mais linda: uma das mães disse que fez um bloquinho com os desenhos, para utilizá-lo para anotações. Segundo ela, faria uma lista dos seus objetivos para o ano e seria adorável escrever do outro lado do papel com um desenho da sua filha! Genial!

Esta ideia também é muito romântica: digitalizar os desenhos no computador, reduzi-los para serem utilizados como cartões para enviar a parentes nos aniversários ou Natal. Isto eu já fiz, mas com uma foto da Princesinha. Não tinha pensado nos desenhos. Coisa mais fofa.

E vocês, têm mais algumas outras ideias para guardar os desenhos das crianças ou de como reutilizar os papéis desenhados que iriam para o lixo?
© 2008 Sturm und drang! | Denise Rangel| Direitos reservados

Recicle os desenhos das crianças
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O craque de cinco vidas


Se gato tem mesmo sete vidas eu não sei, mas que o Ronaldo já gastou duas, isso eu posso provar. Aos três meses, teve a cabeça prensada por uma porta de madeira de 100 kg. Aos cinco, levou um pisão de cavalo e quebrou a pata. Achei melhor impedi-lo de usar mais vidas e levei-o ao veterinário antes que ele pulasse de uma janela ou se atirasse na frente de um carro.

Durante os 11 km que separam a hípica do hospital veterinário, Fenômeno foi ronronando na caixinha de transporte: brincou com meu cabelo, mordeu o próprio rabo e deixou a perna quebrada em várias posições medonhas e impossíveis para ossos em seus devidos lugares.
Na clínica, passei aquela vergonha quando a atendente perguntou o nome do paciente. “É Ronaldo, moça. Mas eu juro que não tenho nada com isso. Foram os tratadores da hípica que deram esse nome para ele…” Ela se inclinou para olhar dentro da caixinha. “Ele é gordo?” A noite prometia.

Uma hora depois, Ronaldo ensaiava seus dribles em casa, a perna ruim presa numa tala desproporcional que deixou o vira-lata alvinegro mais pra Garrincha. “Fica quietinho que mamãe já vem”, e fechei a porta.
Enquanto buscava capacete, corda, luvas de boxe e checava se é possível alugar escafandros para dar remédio a um gato, meus outros bichanos montaram guarda em frente à porta da lavanderia.

Hipnotizados de ciúmes, nem se mexiam. Nunca vi o Grafite tão imóvel.
Reuni a maior quantidade de apetrechos anti mordidas e arranhões que eu tinha em casa e levei para a lavanderia. Assim que abri a porta, Ronaldo veio manquetolando alegremente, arrastando a pata quebrada e um rastro de esparadrapos subitamente imundos, babados e mordidos. Não precisou nem de dez minutos para arrancar a tala que o veterinário levou outra meia hora para refazer, agora envolvendo todo o corpo do pestinha.

Enquanto dirigia de volta para casa, ia pensando em todos os impropérios que falaria antes de dar cartão amarelo para o mocinho. Mas assim que abri a caixinha, mudei de ideia. Enrodilhado em seu corpinho famélico, Ronaldo dormia o sono dos craques. É, foi gol.

PS: Este post é uma homenagem à jornalista "coração de pudim" Bia Levischi e suas deliciosas crônicas de bigodes do Gatoca.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Estamos doentes e a culpa não é da gripe suína


Toda vez que um especialista é chamado a falar sobre gripe suína na TV, rádio ou jornal, fico na vã expectativa dele tocar no X da questão. Alguns especialistas chegam a dar a senha do real problema que vivemos, lembrando que o crescimento da população mundial impõe uma produção massiva de alimentos, cada vez mais industrial, mas evitam criticar diretamente o problema, apenas citando-a marginalmente.

Tô pagando pra ver quem será o primeiro a dar o nome aos bois: a gripe é do modelo industrial de produção de alimentos, não dos porcos. Enquanto isso, gripes suína e assemelhadas (aviária, por exemplo) continuarão a surgir, umas mais fortes outras mais fracas (como a atual), por conta dessa excessiva aglomeração de animais em espaços diminutos, todos alimentados com rações carregadas de agrotóxicos (e transgênicos) e tratados indiscriminadamente com antibióticos - ver aqui e aqui.

Ferem o sândalo e ainda querem sair perfumados… Pense nisso cada vez que for ao supermercado comprar alimento industrializado ou mesmo carne (bovina, suína ou de frango). Podem ser produtos mais baratos do que outros fabricados de forma ética, como os orgânicos, mas é o clássico caso do barato sai caro.

Enquanto nós, consumidores, não dermos mostras à indústria de que não queremos mais produtos fabricados às custas da saúde do planeta e nossa, nada mudará. E não é tão difícil fazer isso: consumir menos carne, dar preferência aos produtos que não usam agrotóxicos nem são fruto de práticas anti-éticas, ter uma alimentação mais equilibrada, se informar.

Tem gente no entanto que prefere pateticamente circular por aí de máscara e por a culpa nas autoridades. Paralisados em suas zonas de conforto, posando de vítimas, se deixando aterrorizar pelas manchetes, aguardando o próximo surto de gripe. Saúde!

Uma campanha inteligente contra o aquecimento global


Achei o vídeo no Leia o Rótulo, da Simone Goraieb. O vídeo é ácido e absolutamente sensacional. Ela recebeu por e-mail da irmã - não vieram os créditos? Quem será que fez? Assista até o fim e me diga: esta não é uma forma inteligente de fazer a pessoa parar pra pensar?

Clique aqui para ver o vídeo.

Petropolis


Embaixo da floresta boreal canadense, em Alberta (ao norte do país), está a segunda maior reserva de petróleo do mundo. Numa areia escura e lamacenta, que se estende por uma região quase do tamanho da Inglaterra, está o betume, que vem atraindo cada vez mais o interesse das grandes companhias petrolíferas do mundo. Só que esse ‘ouro negro’ é puro veneno.

Para se obter um barril de betume ‘limpo’, são necessárias duas toneladas dessa areia, um processo que gasta muita energia, emite CO2 na atmosfera como poucos e desmata quilômetros e mais quilômetros de florestas primárias. Perto das areias betuminosas de Alberta, o pré-sal brasileiro é fichinha - tanto em tamanho como em danos possíveis ao meio ambiente.

O Greenpeace Canadá fez um impressionante documentário sobre essa nova fronteira petrolífera e seu impacto no meio ambiente - local e mundial. O filme se chama Petropolis e ganhou este ano o prêmio do júri num festival suíço de documentários, em Nyon. Confira o trailer aqui.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Reino Unido - O sumiço das borboletas

Suzanne takes you down

Uma das marcas registradas dos jardins ingleses está sumindo: as borboletas. Um longo artigo publicado hoje no The Guardian faz o alerta, lembrando que o último verão foi um verdadeiro desastre para diversas espécies, seja nos quintais das casas ou em áreas protegidas. Dos 59 tipos de borboletas encontrados na Grã-Bretanha, pelo menos 12 tiveram os piores registros desde que o monitoramento do inseto começou em 1976. Se os verões continuarem mais molhados do que o costume, pesquisadores não vêem saída para a sobrevivência das borboletas. Mesmo com a proibição de caça aos insetos, foram contabilizados declínios populacionais significativos em função da perda de 97% dos campos naturais ingleses para a agricultura mecanizada, plantações de coníferas e crescimento urbano. Isso sem falar nos efeitos da mudança climática global.

Em tese, o aumento das temperaturas na maior parte da Grã-Bretanha poderia beneficiar as borboletas do sul para colonizarem porções de terra mais ao norte. Algumas delas, na verdade, já estão migrando neste sentindo, inclusive espécies exóticas que vêm se adaptando ao novo clima. Mas a maioria das outras terá outro destino. Novas doenças estão destruindo as árvores nativas, flores e insetos dos quais as borboletas dependem. Alguns registros já dão conta da fragilidade de borboletas ao ataque de parasitas, que atrapalham seu processo de metamorfose. Para se ter uma idéia, a população das Aglais urticae caiu 45% em 2008 se comparada ao verão de 2007, apesar desta espécie estar migrando cada vez mais para o norte da Europa. De acordo com Tom Brereton, diretor do serviço de monitoramento de borboletas da organização Butterfly Conservation, tudo está ligado ao fator clima. Quando o clima transformar os atuais habitats das borboletas, elas não terão mais para onde ir porque tudo está já muito fragmentado. Como as borboletas são consideradas excelentes bioindicadoras, se elas já estão sofrendo tanto com as mudanças climáticas globais, muito provavelmente diversas outras espécies de insetos seguem o mesmo destino.

As 31 maravilhas naturais do Brasil


A Pedra do Arpoador com Ipanema à esquerda e Copacabana ao fundo


A VT, o Guia Quatro Rodas e um corpo de jurados elegeram os lugares mais fantásticos do país, onde, quanto mais verde e selvagem, melhor. O que não significa que muitos não tenham uma jacuzzi e uma linda vista do Redentor
Nós, da VT, não temos a receita certa, mas sabemos que estar no meio da Floresta Amazônica, na boca da Garganta do Diabo, diante de jacarezinhos no Pantanal, dentro de uma lagoa transparente em Bonito, ao lado de um golfinho em Fernando de Noronha ou no topo do Monte Roraima são experiências únicas. "O Brasil tem ambientes naturais bem conservados, com características difíceis de encontrar em qualquer outro lugar do mundo", diz Carlos Joly, professor de biologia vegetal do Instituto de Biologia da Unicamp (SP).

Esta lista não foi feita apenas pela VT, mas por um júri de 30 pessoas, entre elas escritores, jornalistas, artistas plásticos, diretores de cinema, atores, apresentadores de TV e empresários, que escolheram suas maravilhas naturais preferidas. Um comitê nosso e do Guia Quatro Rodas se reuniu para analisar as respostas e chegar a uma amostra representativa. Também contemplamos os dez destinos de ecoturismo vencedores da última edição do Prêmio VT. Haverá certa dose de injustiça, como aquela a que estão sujeitas todas as listas. Mas, sem dúvida nenhuma, são Nossas Maravilhas. E, o melhor, possíveis de conhecer com conforto e segurança - a grande maioria possui boa infraestrutura e serviços de qualidade.

Quatro dos destinos que aparecem aqui fazem parte da lista preliminar da eleição das Sete Novas Maravilhas Naturais do Mundo (new7wonders.com/nature), composta por 261 concorrentes. São elas Noronha, Amazônia, Monte Roraima e Cataratas do Iguaçu. A votação prossegue até 7 de julho, quando se chegará a uma lista de 77 nomes. O resultado definitivo será anunciado em 2011. Tempo suficiente para você conhecer ao menos algumas delas. E maravilhar-se por completo.

NORTE

Floresta Amazônica
Monte Roraima
Anavilhanas
Encontro dos Rios Negro e Solimões
Jalapão
Alter do Chão

NORDESTE

Lençóis Maranhenses
Chapada Diamantina
Baía de Todos os Santos
Raso da Catarina
Itacaré
Serra da Capivara
Cânions do Xingó
Fernando de Noronha

CENTRO-OESTE

Pantanal
Bonito
Chapada dos Veadeiros

SUDESTE

Vista aérea do Rio de Janeiro
Pão de Açúcar
Jardim Botânico
Dedo de Deus
Gruta do Maquiné
Brotas
Serra da Canastra
Serra da Bocaina
Serra da Mantiqueira

SUL

Cataratas do Iguaçu
Cânion do Itaimbezinho
Cânion da Fortaleza

E MAIS:

Praias brasileiras
Mulher brasileira


Pimentão contém mais agrotóxico, afirma anvisa - cadê meu zap?

lunalina

Luiz Eduardo Cheida

Estávamos, meu cachorro e eu, jogando uma partidinha de truco, quando a notícia, qual ave de mau agouro, pousou em cima da mesa:

PIMENTÃO CONTÉM MAIS AGROTÓXICO, AFIRMA ANVISA

- Que falou o ministro Temporão? – rosnou ele.

- Que “já mandei tirar o pimentão lá de casa”. – respondi.

- Bati! – gritou meu cão.

- Como, bateu? Isso é jogo de truco, cãopadre…

- Bati a canela na mesa – lamentou-se, começando a lamber aquela parte da perna.

Era assim que o caldo entornava quando, na asinha da noite, depois de um dia suado, chegava uma e outra notícia dessas.

Quem poderia pensar? Em uma escala de zero a cem, o pimentão ficava com 64,36% de agrotóxico; o morango, com 36,05%; a uva, com 32,67%, a cenoura, com 30,39%, a alface, com 19,8% e o tomate, com 18,27%. E, agrotóxicos proibidos, como o ometoato, encontrado no abacaxi ou o metamidofós, usado no tomate, já proibido em dezenas de países e liberado nesta Terra de Santa Cruz, valha-me, Senhor!

- É osso duro de roer! – blasfemei entre os dentes.

Mas, descartando um asmático ás de espadas, foi ele quem filosofou:

- De notícias tão ruins, até que eu extraí um caldinho de coisa boa: a ANVISA divulgando lista de alimentos com veneno. Você já tinha visto isso? Enfim, há vida inteligente naquele planeta.

Cobri o magricela ás de espadas com um estufado 2 de ouros. E, tornei. Não gasto vela com defunto ruim.

Meu cão e eu tocamos uma roça de ameia, aqui no sul do Paraná. Somos 5.300 produtores de orgânicos que, desde há anos, acreditam que o veneno não seja a solução. E esse povinho só vem aumentando:
Há 10 anos, a gente era 300. Hoje, somos 5.300 produtores. Enquanto a safra de orgânicos 1996/1997 foi de 4 toneladas, a safra 2006/2007 foi de 107.230 toneladas. Seguindo-se esta projeção, em 2016, o estado vai produzir 2.980.994 toneladas orgânicos. Então, em 20 anos, terá saltado de 4 toneladas para 3 mil toneladas!

A Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica credita essa expansão, em grande parte, ao aumento de custos da agricultura convencional, à degradação do meio ambiente e à crescente exigência dos consumidores por produtos ditos limpos, livres de substâncias químicas ou geneticamente modificadas.

Também é crescente o número dos que consideram que deveriam ser computados aos custos da produção convencional, os valores que a sociedade, indiretamente, paga através da contaminação ambiental e alimentar, perda de produtividade do solo, uso inadequado da água, assoreamento de rios, perda da biodiversidade, êxodo rural, entre outros desequilíbrios que a produção orgânica reduz e até evita.

Já ia alta a lua crescente, borrada por um sujinho de nuvem quando, de um pulo, o cãopadre subiu na cadeira, uivando como um demente:

- Truco! Truuuuuuuuco! – salivava.

- Quero ver, quero ver! – rebati, sem lembrar que não tinha carta nenhuma que pudesse com as dele.

Foi quando, num gesto de total desprezo, ele mandou um 7 de copas, depois um 3 e, de quebra, derrubou na mesa um outro ás.

- Cadê meu zap? – foi a última coisa que choraminguei.

Mas, o cão já ia longe, festejando mais uma surra neste que vos fala, espantando as más notícias, pensando só nas coisas boas que nós ainda podemos fazer por este Brasil.

P.S. O zap é a maior carta do truco. Depois dela, vem o 7 de copas, a espadia e o 7 de ouros. Quando jogamos, meu cãopadre tem a prudência de amarrar seu rabo. Afinal, qualquer manifesta satisfação pode botar a perder toda a ciência desse jogo cheinho de mil astúcias.

Extremófilos

stan G - “Todos esses mundos são seus, exceto Europa”. Arthur C Clarke, 2061: uma odisséia no espaço.

A descoberta, nesta semana, do menor planeta fora do Sistema Solar, reascendeu a milenar polêmica: há vida fora da Terra?

De posse do planeta e seu satélite, que pode conter água em quantidade para abrigar vidas, foi todo mundo logo pensando que é mesmo uma questão de tempo achar gente fora daqui.

Bem, falar em gente é forçar um pouco a barra. Afinal, ninguém em sã consciência imagina que a vida fora daqui seja um retrato humano falado.

Mas, se de fato vida não é só vida humana, para muitos, vida só é possível se o organismo possui célula. Se o ambiente tem oxigênio e água. Se a temperatura máxima é de 40ºC e o pH neutro. O organismo livre de metais pesados. Longe de qualquer radiação. E, protegido dos poderosos raios ultra-violeta. Somos sempre levados a crer que vida é a vida que conhecemos. As variações são possíveis, mas sem radicalizar…

Contudo:

Os vírus são seres vivos e não possuem célula.

O Bacillus infernus, que vive dentro de rochas, a mais de 2 mil metros de profundidade, ou os recentes organismos descobertos na Geleira Taylor, da Antártida, confirmam que a vida pode desprezar o oxigênio.

Tardígrados, animais que não chegam a 2 cm, sobrevivem até 10 anos em ambientes sem umidade.
Os hipertermófilos adoram temperaturas que derreteriam outras formas de vida, se reproduzem a 113ºC e trabalham melhor a 105ºC. Chaminés submarinas, próximas às sua colônias, chegam a 350º C!

Acidófilos convivem em paz com pH de 0,1 (20 vezes mais ácido que água de bateria).

Os metaltolerante deleitam-se em áreas com altas concentrações de metais.

Bactérias radioresistentes, Deinococcus radiodurans, suportam radiações de 1 milhão de rads. As radiações de mil rads das bombas de Hiroshima e Nagasaki mataram em uma semana. Estes organismos suportam mil vezes mais. Irradiadas com 3 milhões de rads, algumas delas ainda escapam!

Tartígrados, que já vivem sem água, são impassíveis à exposição intensa de raios ultra-violeta, que destruiriam o DNA de outros seres em segundos.

Estes seres são extremófilos. Extremófilo é organismo que consegue sobreviver em condições extremas. Às vezes, até necessita delas.

- Me bate, me chuta! – chego a ouvir.

Muitos deles poderiam viver em Titã, a maior lua de Saturno, respirando sua atomosfera de 95% de nitrogênio, alimentando-se de suas lagoas de metano líquido. Outros, estariam confortáveis em Io, satélite natural do planeta Júpiter, onde seus vulcões, além de cuspirem altas temperatura, prato cheio para qualquer hipertermófilo, produzem rolos de enxofre para nenhum microrganismo da antártica Geleira Taylor botar defeito. Ou em Calisto, a lua mais distante de Júpiter, onde halófilos (amantes de sal) estariam em casa, abaixo da camada de gelo de 100 Km de espessura, no mar salgado de 20 mil metros de profundidade.
Poderiam estar em Marte ou além, porque eles não só vivem em lugares difíceis mas, sobretudo, procuram por lugares difíceis. Então, por que razão não seriam seletos candidatos a viagens espaciais?

Acima da estratosfera terrestres, com uma temperatura de -50ºC, praticamente sem oxigênio e com incríveis índices de radiação ultra-violeta e cósmicas, habitam diversas comunidades de microrganismos.

Por que razão não poderiam ter sido lançados no espaço e, tangidos pelos ventos estratosféricos, chegado aos desejados lugares ditos difíceis? E, por que não o contrário? Por que não podem ter vindo destes lugares?

Anaxágoras, 500 a. C, Helmholtz, em 1879 e Svantes Arrhenius, em 1910, nesta ordem cronológica, foram ridicularizados por pensarem assim. Estariam tão errados?

Na casa do Pai há muitas moradas… (João, 14:1 a 3).

Ou, na nossa interpretação, ou salvamos o mundo de nós mesmos ou seremos extintos, dando lugar para outros seres tomarem nosso lugar na ordem natural da evolução das espécies.

Noruega - Carros sem combustíveis fósseis

O ministro das Finanças da Noruega, Kristin Halvorsen, propôs esta semana que veículos movidos a gasolina, diesel e outros combustíveis fósseis deixem de ser vendidos naquele país até 2015.

Seria uma maneira de forçar o desenvolvimento de carros alimentados por combustíveis limpos, como eletricidade, biocombutíveis ou células de hidrogênio.

Isso reduziria a poluição nas cidades e ajudaria no combate ao aquecimento global.

O plano também abre a possibilidade da produção e comércio de veículos híbridos a partir de 2015.

sábado, 2 de maio de 2009

Definitivamente sem carne

Categorias: Rede Ecoblogs

legumes

Completei hoje o desafio 30 dias sem carne. Os dias passaram-se naturalmente. Não senti vontade de comer carne, sequer me senti tentada a dar uma provadinha. Almocei fora de casa várias vezes, jantei em casa de amigos, ocasiões em que o cardápio continha carne, e não cedi.

Agora, sim, posso dizer que a carne não faz mais parte de minha dieta. As razões já foram expostas aqui e aqui. Está vencido o desafio. Agora acredito que estou pronta para definitivamente abandonar este hábito. Não apenas por 30 dias, mas indefinidamentte. Este é o meu objetivo.

Não faço apologia ao vegetarianismo, como já expliquei nos posts citados. A produção industrial de carnes é uma das fontes mais importantes de poluição do meio ambiente: necessita de áreas gigantescas, consome enorme volume de recursos naturais e energéticos, gera bilhões de toneladas de resíduos tóxicos sólidos, líquidos e gasosos, que contaminam solo, água, ar, plantas, animais e pessoas.

Convém ressaltar também que o desmatamento realizado para o plantio de pastagens para o gado é o fator de maior impacto na diminuição da Floresta Amazônica.

Por razões ambientais, por amor aos animais, pela saúde, enfim, pela vida, continuarei fazendo a minha parte. Estou me sentindo muito bem, podem acreditar. Há quem opte por diminuir o consumo de carne. Eu prefiro eliminar o consumo de carne de minha dieta e, desta forma, contribuir para desacelerar o aumento do aquecimento global, contribuir também para a conservação da biodiversidade e bem-estar dos animais. E, como lucro, ter uma vida mais saudável.

Futuros Imaginários

O Livro do Dr. Richard Barbrook - Futuros Imaginários, publicado no Brasil pela Editora Peirópolis (abril de 2009) está disponível para download , sem qualquer custo.

O autor é conferencista da Universidade de Westminster e lança seu último trabalho literário no Brasil.

Futuros Imaginários demonstra como a política influenciou a forma pela qual a Internet é controlada atualmente e faz um chamado a todos que estão ciberconectados a usar a rede para apropriarem-se de políticas revolucionárias e criar um futuro mais positivo.

O Dr. Richard Barbrook participou de recente Seminário no Rio de Janeiro sobre Informação, Poder e Política: Novas Mediações Tecnológicas e Institucionais na CPRM - Urca, onde falou sobre o campo de forças informacional e as novas relações de poder: atores,espaços e governança.

O Seminário foi organizado pelo Ibict no Rio, Fiocruz e UFRJ. O livro disponível e livre de qualquer custo na Internet, no endereço acima, tem 440 páginas está em PDF e tem o sumário abaixo:

O FUTURO É O QUE SEMPRE FOI 31

O SÉCULO ESTADUNIDENSE 43

A COMPUTAÇÃO DA GUERRA FRIA 65

A MÁQUINA HUMANA 79

SUPREMACIA CIBERNÉTICA 91

A ALDEIA GLOBAL 107

A ESQUERDA DA GUERRA FRIA 121

OS POUCOS ESCOLHIDOS 135

TRABALHADORES LIVRES NA SOCIEDADE AFLUENTE 157

OS PROFETAS DO PÓS-INDUSTRIALISMO 193

A ESTRADA ESTADUNIDENSE PARA A ALDEIA GLOBAL 227

O LÍDER DO MUNDO LIVRE 255

O GRANDE JOGO 271

A INVASÃO ESTADUNIDENSE NO VIETNÃ 299

AQUELES QUE ESQUECEM O FUTURO ESTÃO CONDENADOS A REPETI-LO 339

TRADUÇÃO EM IMAGENS 391

Sobre a gripe suína - Banana de dinamite

Hector Aiza / ilustración, diseño y foto

Luiz Eduardo Cheida

Estes são os instantes finais da adaptação do vírus da Influenza ao planeta.

Todo vírus se reproduz, tem hereditariedade e faz mutação. Estas três características fazem dele um ser vivo. Entretanto, ele só se reproduz dentro de células. Fora delas, é apenas uma partícula inerte. Assim, precisa de outro ser vivo. Por isso, é um parasita.

Durante os últimos milênios o Influenza seguiu uma extenuante jornada, até tornar-se específico para cada animal que infectava, adaptando-se a eles. Por isso, temos a gripe do homem, do porco, das aves, dos cavalos, dos animais marinhos… Cada um deles com seu tipo de vírus, já adaptados, através de milhares de anos de evolução conjunta (parasita e hospedeiro).

- Parasita adaptado, infecta mas não mata – diz meu porquinho de pelúcia.

- Acho que seu cérebro é de pelúcia! Penso, mas não digo.

Entretanto, quando uma grande população (de porcos, por exemplo) é acometida pelo seu vírus, ele se multiplica incontavelmente. A multiplicação intensa faz surgir formas mais agressivas ou até formas com capacidade de infectar outros animais. Por exemplo, animais humanos.

Se este vírus adaptado ao porco, agora dentro de um humano, transformar-se a ponto de infectar um humano a partir deste humano infectado, pode ter início uma epidemia.

Se é a primeira vez que humanos adquirem esta nova forma do vírus, não estarão adaptados a ela. O resultado é uma alta mortalidade.

Portanto, ajuntamentos cada vez maiores de criações (porcos, aves…) são uma banana de dinamite que faz explodir novas formas do vírus da gripe, viu, mofíu?

A Gripe Espanhola (1918-1919), pandemia que matou de 20 a 40 milhões de pessoas, tirou a vida de médicos brasileiros que haviam ido fechar a tramela da Primeira Guerra Mundial nos campos de Dacar. O Instituto de Patologia das Forças Armadas Brasileiras manteve em parafina, pedaço dos pulmões destes militares. Em 1990, com as técnicas atuais, recuperaram neles o material genético dos vírus da Gripe Espanhola e confirmaram traços de origem do vírus que acomete humanos e porcos!*

Por isso o pavor desta gripe do porco? A OMS (Organização Mundial da Saúde) sabe disso, mas os oms da OMS não falam pra nós. Eu falo.

Os vários tipos de vírus Influenza podem infectar um animal e misturar-se dentro dele. Assim surge um novo vírus que é um mosaico feito de pedaços de outros vírus.

Nos mercados asiáticos, onde se vende centenas de espécies de aves vivas, que evacuam e ingerem água contaminada por outras espécies, é altíssima a probabilidade de formação de novos vírus. Não é a toa que o Sudeste Asiático é o epicentro das epidemias de gripe no planeta.

O Influenza das galinhas não infecta o homem. Mas, quando o porco é infectado, ao mesmo tempo, pelo Influenza da galinha e do homem, a mistura pode formar dentro dele um novo Influenza com poderio de infectar outros humanos.

As viagens humanas e as freqüentes importações e exportações de animais, unem vírus de lugares longínquos, que dificilmente entrariam em contato de forma natural. Em outras palavras, a globalização, somada à alta aglomeração de animais para o mercado da carne, e alto poder da tecnologia, que faz o percurso do embrião ao prato em semanas, parece ser a resposta que a mãe natureza encontrou para diminuir os humanos estúpidos que provocam tais artificialismos. Embora, infelizmente, inocentes paguem também por isso.

O planeta tem seus mecanismos de autoajustes. Eliminar quem causa danos é apenas um deles. Nós estamos no meio das engrenagens. Mas, o que é que tem? para a natureza, frango, porco, humanos, é tudo a mesma coisa.

Então, deixa a engrenagem girar!

* G. F. Thomas et al, “Initial Genetic Characterizations of 1918 ´Spanish´ Influenza Virus”, em Science, 275 (5.307), Washington, 1997, pp. 1793-1793.